MINISTÉRIO
DA SAÚDE
SECRETARIA DE GESTÃO DO TRABALHO E DA EDUCAÇÃO
NA SAÚDE
DEPARTAMENTO DE GESTÃO DA EDUCAÇÃO NA
SAÚDE
NOTA DE ESCLARECIMENTO
SOBRE A PROPOSTA DA CRIAÇÃO DA CÂMARA
INTERMINISTERIAL DE GESTÃO DA EDUCAÇÃO
NA SAÚDE
Brasília,
14 de março de 2007.
O Governo Federal está apresentando a proposta de Criação
da Câmara Interministerial de Gestão da Educação
na Saúde, vinculada aos Ministérios da Educação
e da Saúde, com o objetivo de ordenar a formação
de recursos humanos na área da saúde, em conformidade
com as políticas nacionais de educação
e saúde e os objetivos, princípios e diretrizes
do Sistema Único de Saúde.
De acordo com a minuta de Decreto ora em análise, competirá
à Câmara:
I – subsidiar a definição de diretrizes
para a política de formação profissional,
tecnológica e superior, incluindo a especialização
na modalidade residência médica, multiprofissional
e em área profissional na área de saúde;
II – subsidiar a definição de critérios
para a autorização, reconhecimento e renovação
de reconhecimento de cursos superiores na área da saúde;
III – subsidiar a definição de critérios
para a expansão da educação profissional,
tecnológica e superior, incluindo a especialização
na modalidade residência médica, multiprofissional
e em área profissional na área de saúde;
IV - identificar as demandas quantitativa e qualitativa de
profissionais de saúde no âmbito do SUS, de forma
a subsidiar políticas de incentivo à fixação
de profissionais de saúde conforme as necessidades
regionais;
V – identificar a capacidade instalada da rede de serviços
que integram o Sistema Único de Saúde, a fim
de subsidiar a análise de sua utilização
no processo de formação de profissionais de
saúde;
VI – estabelecer diretrizes para a educação
e assistência à saúde na rede pública
de educação básica.
A proposta foi apresentada na semana passada ao Plenário
da Comissão Nacional de Residência Médica
(CNRM/SESu/MEC) pela Secretaria de Gestão do Trabalho
e da Educação na Saúde, que representa
o Ministério da Saúde na referida Comissão.
Os membros da CNRM estão analisando a minuta de Decreto
junto às entidades que representam, e apresentarão
suas sugestões nos próximos dias. A Associação
Brasileira de Educação Médica, representada
na CNRM pela Profa. Dra. Maria do Patrocínio Nunes
já se manifestou favoravelmente à proposta ,
em mensagem enviada à SGTES pelo seu Presidente, Prof.
Dr. Milton de Arruda Martins. O tema será debatido
também no Conselho Nacional de Educação,
na Comissão Intergestores Tripartite (CIT) e no Conselho
Nacional de Saúde, a partir da sua Comissão
Intersetorial de Recursos Humanos (CIRH).
A Associação Nacional dos Médicos Residentes
(ANMR) manifesta-se contrariamente, porém de maneira
agressiva, e não aberta ao diálogo. Vale recordar
que no ano passado, os Ministérios da Educação
e da Saúde, estabeleceram processo de negociação
com a ANMR, tendo cumprido rigorosamente o que foi acordado
em um Protocolo de Intenções, que contou inclusive
com a participação do SinMed-RJ, e resultou
na Lei Federal de 01 de dezembro de 2006 que concedeu reajuste
à bolsa de residência médica. O Ministério
da Saúde tem expressado em vários fóruns
de discussão que a formação de especialistas
com recursos públicos, nos aspectos quanti e qualitativos
deve atender às necessidades de saúde e ao perfil
sócio-epidemiológicos da população
brasileira. Neste sentido, os Ministérios da Saúde
e da Educação tem promovido ações
e reflexões conjuntas, e a proposta da Câmara
Interministerial é parte da consolidação
deste trabalho intersetorial para o desenvolvimento da educação
na saúde.
Cumpre ressaltar
que a proposta da Câmara não está fechada
e sua concepção vem se desenvolvendo à
luz de todo o novo processo de avaliação e regulação
da Educação Superior. Não perdemos de
vista que suas atribuições, ao agregarem elementos
específicos da educação na saúde
me relação às demais áreas do
conhecimento, devem estar harmonizadas com toda a estrutura
já existente, como é o caso não apenas
da CNRM, mas também do Conselho Nacional de Educação.
A necessidade
de um trabalho intersetorial na formação dos
profissionais da saúde, desde o nível técnico,
passando pela graduação até a pós-graduação
não é hoje apenas uma demanda da área
da saúde, mas envolve também a percepção
já expressa pelo MEC, dos benefícios e do valor
agregado deste trabalho conjunto. Temos trabalhado na lógica
de que a ação intersetorial deve respeitar as
competências do MEC de avaliação e regulação
de toda a Educação Superior, ao tempo em que
cabe ao
Ministërio da Saúde interferir, no nível
macropolítico, no perfil, na quantidade e distribuição
dos profissionais da saúde formados com recursos públicos,
`luz das necessidades de saúde da população
brasileira.
É importante
deixar claro o grande respeito e reconhecimento que todos
temos pelo papel fundamental desempenhado pela CNRM na história,
consolidação e manutenção da qualidade
da Residência Médica. Além disso, é
evidente para quem tem a oportunidade de vivenciar o processo,
o idealismo e amor à causa dos membros da Nacional,
das Estaduais e de todo um corpo de médicos que lutam
pela Residência Médica.
DR. Francisco Eduardo de Campos
Secretário - Secretaria de Gestão do Trabalho
e da Educação na Saúde (SGTES)
DRA. ANA ESTELA HADDAD
Diretora - Departamento de Gestão da Educação
na Saúde (Deges)
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